quinta-feira, 6 de maio de 2010




Mar e Sertão, livro de Pedro Bersi (escritor catarinense)
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Pedro Bersi se aproxima da tradição cultural do homem do litoral de Santa Catarina [com ênfase ao folclore e as manifestações religiosas] com "Franklin Bento: Causos, Bruxas - Antigas e Novas Histórias" (2001). Em Mar e Sertão (400 páginas, Edição do Autor, Itajaí, SC 2007), o escritor-pesquisador de 44 anos, natural de Armação de Itapocorói, no município de Penha (litoral centro-norte do Estado) vai buscar novamente na cultura popular e no diálogo com remanescentes de antigos pescadores-lavradores, "gente de muito respeito", cuja vida e subsistência diária se fazia entre a roça e o mar, a inspiração para dar cor e vida a uma das mais importantes obras da literatura catarinense deste começo de século.
Em Mar e Sertão, na concepção do autor um livro de biografias, a História do litoral catarinense é destrinchada desde a origem, trazendo a público o cotidiano simples de homens e mulheres atrelados a um passado de muitas dificuldades: a lida na roça, o engenho de farinha, o mar, a canoa, a pesca de subsistência... As manifestações religiosas e o folclore praieiro catarinense, tão substâncias em valores culturais e humanos, também estão presentes na original obra de Pedro Bersi, que é filho do também escritor Cláudio Bersi de Souza (romancista autor de 'Pirajá', Editora da Univali), e da dona de casa, Lúcia da Costa Souza.
Evidencia-se em Mar e Sertão um importante acervo iconográfico, desde instrumentos de trabalho a mapas e escrituras antigas; também uma reprodução de uma aquarela pintada por Debret, em 1827, onde se vê toda a grandeza da antiga feitoria destinada à pesca da baleia, conhecida na época por 'Real Armação de Baleias de Itapocoroya'. Há também os relatos dos viajantes que estiveram na região, como o francês Auguste de Saint-Hilaire (1820), e o escritor Visconde de Taunay.
Cabe destacar na obra de Pedro Bersi [entre as doze personagens principais] a figura do saudoso pescador Boaventura José do Santos. Personagem simbolo do livro, cuja entrevista com autor se deu há vinte e cinco anos atrás, em junho de 1985, “Seu Ventura” expõe sua vida de maneira original, citando datas e acontecimentos do cotidiano praieiro de Itapocorói. Naquela época, Pedro Bersi, então vinte anos de idade, pressentiu a necessidade de registrar a cultura de seu povo e de gravador em punho foi ao encontro daquele velho pescador, um ‘homem franzino de fala ligeira e semblante angelical’.
Ainda a respeito de Mar e Sertão, complementa o renomado professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Celestino Sachet, em inspirado prefácio: “Sim a História. Não apenas a história de cada rosto, mas da família, dos parentes, de toda a comunidade. E aqui respira o forte valor desta obra, melhor, o fortíssimo valor: PEDRO BERSI – com muito engenho e arte, diria Camões a mais de 400 anos – captou o modo de viver de um grupo de pessoas de um modo bem diferente de quantos livros andam por aí. Não os fatos e os feitos “heróicos” de figurões da administração, mas o fazer e o trabalhar de pessoas dia-a-dia que transitam em carros de boi pelas estradas ou navegam frágeis barcos que você cumprimenta e elas correspondem. Aquelas pessoas que os antepassados do Autor, designam com ‘uomo qualunque’, uma criatura humana igual a você. (...) E por isso, Autor e personagens-heróis aqui estarão para garantirem a durabilidade de um dos mais importantes livros da História da literatura catarinense deste começo de século”.
Ao perscrutar a origem sem omitir o ‘grupo’, fator primordial a gênese litorânea catarinense, Pedro Bersi demonstra em Mar e Sertão originalidade e profundo senso de observação, sobretudo ao dar voz às personagens: “Essas pessoas simples, pouco letradas, acabaram por me revelar histórias fascinantes, quase sempre permeadas de luta e suor; com elas aprendi a valorizar o passado e compreender melhor o presente”, enfatiza o autor.


  • A pintura que ilustra a capa de Mar e Sertão, denominada "Puxar o barco" (praia de Armação de Itapocorói, Penha SC) é obra do artista plástico Lorenz Heilmair.
  • 'Pesca da Mangona', pescadores de Armação de Itapocorói, Santa Catarina. Imagem da contracapa de Mar e Sertão, livro de Pedro Bersi. Acervo/SOUZABERSI
  • Contatos com o autor: souzabersi@hotmail.com, ou 047 3345.5990

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