segunda-feira, 31 de maio de 2010

Crepúsculo
Fotografia by Pedro Bersi
Copyright 2010
  • Ponto de vista e cenário: Enseada de Itapocorói, entardecer de quinta-feira, 27 de maio de 2010 (hora local: 18:05:24), vista da praia do Manguinho. Penha, Santa Catarina - Brasil

quinta-feira, 13 de maio de 2010

terça-feira, 11 de maio de 2010


Caminho por uma estrada que vai dar no mar
[Pedro Bersi, maio 2010]
....
Toda perspectiva é uma maneira de ver...
Maio se revela pleno
Há sorrisos e árvores pelo caminho
E um mar ali bem perto.
A estrada é de terra vermelha; curvilínia.
Choveu, vê-se cor e natureza.
No preto e branco da manhã nenhuma certeza
E uma flor branca se pinta de azul-borboleta.
Um tié-pardo sobrevoa a mata
Depois some entre as folhas da aroeira.
(...)
P.S.: Meu amor ali pertinho anotava tudo num caderninho.

  • Fotografia by Pedro Bersi 2010
  • Ponto de vista e cenário: Estrada da praia Vermelha, vista para o costão do São Roque, Armação de Itapocorói, município de Penha, SC Brasil


quinta-feira, 6 de maio de 2010

Viagem ao universo onírico de Franklin Bento
{preâmbulo}

A matéria-prima da Criação

O artista autêntico traz dentro de si um norte particular. Esse norte [a bem dizer não geográfico] tem rumo lógico, cuja flexa certeira do conhecimento tem como alvo [e origem] a sabedoria popular. Assim ele vai interpretando a vida a maneira que lhe convém. Nessa busca particular [com olhos ligeiros] o 'homem-artista-simples' [um ser gregário por natureza] absorve com máxima atenção as manifestações do inconsciênte-lúdico que o rodeia. Sua intuição não fere a dignidade das coisas ditas reais, pelo contrário, a engrandece com mais e mais imaginação. Ao interpretar a vida com liberdade plena o artista popular se auto-afirma, proclama seu espaço no mundo: o tempo lhe é profundo conhecedor.

(Pedro Bersi, 6 de maio de 2010)

Imagem: Franklin Bento (1922-2007), artista popular catarinense. Fotografia de Pedro Bersi sobre cenário de Tolentino Sant'Anna Neto. Acervo/SOUZABERSI 2001.

Pesquisa: "Franklin Bento: Causos, Bruxas - Antigas e Novas Histórias", livro de Pedro Bersi (178 páginas, ilustrado. Gráfica Berger, Itajaí SC, 2001).




Mar e Sertão, livro de Pedro Bersi (escritor catarinense)
...
Pedro Bersi se aproxima da tradição cultural do homem do litoral de Santa Catarina [com ênfase ao folclore e as manifestações religiosas] com "Franklin Bento: Causos, Bruxas - Antigas e Novas Histórias" (2001). Em Mar e Sertão (400 páginas, Edição do Autor, Itajaí, SC 2007), o escritor-pesquisador de 44 anos, natural de Armação de Itapocorói, no município de Penha (litoral centro-norte do Estado) vai buscar novamente na cultura popular e no diálogo com remanescentes de antigos pescadores-lavradores, "gente de muito respeito", cuja vida e subsistência diária se fazia entre a roça e o mar, a inspiração para dar cor e vida a uma das mais importantes obras da literatura catarinense deste começo de século.
Em Mar e Sertão, na concepção do autor um livro de biografias, a História do litoral catarinense é destrinchada desde a origem, trazendo a público o cotidiano simples de homens e mulheres atrelados a um passado de muitas dificuldades: a lida na roça, o engenho de farinha, o mar, a canoa, a pesca de subsistência... As manifestações religiosas e o folclore praieiro catarinense, tão substâncias em valores culturais e humanos, também estão presentes na original obra de Pedro Bersi, que é filho do também escritor Cláudio Bersi de Souza (romancista autor de 'Pirajá', Editora da Univali), e da dona de casa, Lúcia da Costa Souza.
Evidencia-se em Mar e Sertão um importante acervo iconográfico, desde instrumentos de trabalho a mapas e escrituras antigas; também uma reprodução de uma aquarela pintada por Debret, em 1827, onde se vê toda a grandeza da antiga feitoria destinada à pesca da baleia, conhecida na época por 'Real Armação de Baleias de Itapocoroya'. Há também os relatos dos viajantes que estiveram na região, como o francês Auguste de Saint-Hilaire (1820), e o escritor Visconde de Taunay.
Cabe destacar na obra de Pedro Bersi [entre as doze personagens principais] a figura do saudoso pescador Boaventura José do Santos. Personagem simbolo do livro, cuja entrevista com autor se deu há vinte e cinco anos atrás, em junho de 1985, “Seu Ventura” expõe sua vida de maneira original, citando datas e acontecimentos do cotidiano praieiro de Itapocorói. Naquela época, Pedro Bersi, então vinte anos de idade, pressentiu a necessidade de registrar a cultura de seu povo e de gravador em punho foi ao encontro daquele velho pescador, um ‘homem franzino de fala ligeira e semblante angelical’.
Ainda a respeito de Mar e Sertão, complementa o renomado professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Celestino Sachet, em inspirado prefácio: “Sim a História. Não apenas a história de cada rosto, mas da família, dos parentes, de toda a comunidade. E aqui respira o forte valor desta obra, melhor, o fortíssimo valor: PEDRO BERSI – com muito engenho e arte, diria Camões a mais de 400 anos – captou o modo de viver de um grupo de pessoas de um modo bem diferente de quantos livros andam por aí. Não os fatos e os feitos “heróicos” de figurões da administração, mas o fazer e o trabalhar de pessoas dia-a-dia que transitam em carros de boi pelas estradas ou navegam frágeis barcos que você cumprimenta e elas correspondem. Aquelas pessoas que os antepassados do Autor, designam com ‘uomo qualunque’, uma criatura humana igual a você. (...) E por isso, Autor e personagens-heróis aqui estarão para garantirem a durabilidade de um dos mais importantes livros da História da literatura catarinense deste começo de século”.
Ao perscrutar a origem sem omitir o ‘grupo’, fator primordial a gênese litorânea catarinense, Pedro Bersi demonstra em Mar e Sertão originalidade e profundo senso de observação, sobretudo ao dar voz às personagens: “Essas pessoas simples, pouco letradas, acabaram por me revelar histórias fascinantes, quase sempre permeadas de luta e suor; com elas aprendi a valorizar o passado e compreender melhor o presente”, enfatiza o autor.


  • A pintura que ilustra a capa de Mar e Sertão, denominada "Puxar o barco" (praia de Armação de Itapocorói, Penha SC) é obra do artista plástico Lorenz Heilmair.
  • 'Pesca da Mangona', pescadores de Armação de Itapocorói, Santa Catarina. Imagem da contracapa de Mar e Sertão, livro de Pedro Bersi. Acervo/SOUZABERSI
  • Contatos com o autor: souzabersi@hotmail.com, ou 047 3345.5990

domingo, 25 de abril de 2010

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Cláudio Bersi de Souza, romancista catarinense
"Três romances dentro da mesma década - Um Beijo na Tempestade 1984; Uma luz na Solidão, 1988 e, agora, este Muralhas de Água - três histórias-arquipélago reclamam e proclamam a prova provada de que Cláudio Bersi de Souza escreve para uma larga fatia de leitores dispostas a consumir em um tema cada vez mais presente na Cultura de Santa Catarina: o açoriano das velhas raízes do século XVIII, migrante do mar-amargo, metido no "cerimonial" de um povoamento que se planta no litoral Sul-Atlântico Brasileiro para escapar aos terremotos da Fome de um arquipélago vulcânico, navegando entre os mares gelados de um Atlântico Norte para separar Portugal dos Estados Unidos.
Estes personagens deste Muralhas de Água constroem uma aventura-pergrinação fincada em valores que tomam como exemplo a sacralidade da Natureza e do Mar. E a História de cada um vai-se construindo na grande síntese de uma Nova Sociedade que se purifica, no Amor, no trabralo, no orgulho de ser Outro."
Texto de Celestino Sachet (UFSC)
Do prefácio de "Muralhas de Água", livro de Cláudio Bersi de Souza, Editora Paralelo 27, Florianópolis SC, 1992.